Eixo 1

Eixo 1 - Educação de qualidade e inclusiva frente a todas as formas de opressão

Abordagens complementares - Eixo 1

1.1. Políticas afirmativas: permanência e assistência estudantil

A consolidação das políticas afirmativas no Brasil, especialmente no acesso ao ensino superior, representou um marco histórico na democratização da universidade pública. No entanto, o desafio da permanência estudantil ainda persiste, impactando especialmente estudantes negros, indígenas, quilombolas, pessoas trans, com deficiência e oriundos de famílias de baixa renda. Este eixo busca discutir os limites e possibilidades das políticas afirmativas e da assistência estudantil como instrumentos de transformação estrutural da universidade e da sociedade. São esperados trabalhos que reflitam sobre experiências de permanência, avaliação de programas, estratégias institucionais, relatos de estudantes e análises críticas das políticas públicas voltadas à inclusão. Busca-se debater pesquisas, relatos de experiências e análises sobre os impactos das políticas de cotas, ações afirmativas e programas de inclusão no acesso e permanência de estudantes, ampliando o debate sobre a interseccionalidade das desigualdades e incentivar a produção de propostas que fortaleçam a permanência com justiça social e equidade, reafirmando o compromisso da universidade pública com a transformação da realidade.

1.2. Redução de desigualdades e neoliberalismo na UEFS

O avanço do modelo neoliberal no interior das universidades públicas brasileiras tem imposto graves ameaças à sua autonomia, qualidade e função social. Tais medidas afetam diretamente o caráter público da universidade e agravam as desigualdades educacionais, comprometendo o direito constitucional à educação superior gratuita e de qualidade. O presente eixo propõe fomentar o debate sobre a resistência ao avanço neoliberal e as vias possíveis de construção coletiva de um projeto de universidade pública, gratuita, inclusiva, democrática e de qualidade, ancorado na defesa do tripé ensino-pesquisa-extensão e no fortalecimento da autonomia universitária em todas as suas dimensões. Em especial propõe-se debater políticas estruturantes para a educação superior e análises sobre a relação entre universidade e educação básica e o papel das licenciaturas na construção de um projeto educacional inclusivo e emancipador.

1.3. Diversidade e inclusão com equidade

Nas últimas décadas as políticas afirmativas de acesso ao ensino superior promoveram uma significativa transformação do perfil universitário no Brasil, sobretudo com as cotas para estudantes de escolas públicas e reservas de vagas para grupos historicamente discriminados. As pesquisas mais recentes apontam o sucesso desse modelo de desenvolvimento por meio da inclusão, demonstrando que não há diferenças significativas entre o rendimento acadêmico médio de estudantes cotistas e não cotistas e que, em médio e longo prazo, a diversidade de corpos, origens e saberes traz benefícios para todas as áreas da Universidade. Para além do enriquecimento da experiência cotidiana observa-se também novas perspectivas e perguntas de pesquisa mais conectadas com a realidade concreta da população. Mas ainda restam inúmeros desafios associados à convivência e permanência em uma Universidade diversa e plural, de modo que é importante debater essa transformação estrutural não apenas a partir da universidade como um todo, mas também a partir das áreas específicas do conhecimento e dos espaços administrativos. Esse eixo propõe fomentar o debate sobre as políticas de equidade, a diversidade de corpos, práticas e epistemologias na universidade pública considerando os avanços e desafios para uma efetiva transformação inclusiva. Espera-se reunir propostas sobre desafios em diferentes espaços institucionais, desde o processo ensino-aprendizagem, a formação docente e os processos de gestão universitária.